A
inulina é um polímero linear de frutose pertencente ao grupo de frutanos. Ela é
considerada como fibra alimentar, sendo encontrada naturalmente em uma
variedade de plantas, como vegetais, principalmente na cebola, além dos cereais
como trigo, a cevada, o centeio (1). Na indústria a inulina é isolada e
adicionada em alimentos para aumentar o teor de fibras (2).
Também
classificada como fibra alimentar, as fibras solúveis normalmente são
fermentadas rapidamente, enquanto as insolúveis são lentamente ou apenas
parcialmente fermentadas. Os componentes das fibras alimentares não são
absorvidos no intestino grosso e são fermentados por bactérias intestinais (1).
O resultado da fermentação é a produção de ácido lático, ácidos graxos de
cadeia curta (AGCC) e gazes (2). Cada um desses componentes leva a
consequências fisiológicas.
A
produção de ácido lático leva a redução do pH no lúmen intestinal e isso
promove o crescimento de bactérias benéficas, como as bifidobactérias e os
lactobacilos (3). Essas bactérias trazem benefícios ao hospedeiro, como a
elevação da biomassa bacteriana e, consequentemente, o aumento do bolo fecal
(diminuindo o tempo de trânsito intestinal e aumentando o peristaltismo
intestinal), e a melhora na absorção de minerais, como o cálcio (4). Os AGCC
são a principal fonte de energia dos enterócitos (5). Além disso, as fibras
solúveis formam um gel, ligando-se com moléculas de água, e isso pode acarretar
em maior tempo de esvaziamento gástrico, aumentando a saciedade e diminuindo a
taxa de absorção de glicose, triglicérides e colesterol (6).
Através
desses benefícios fisiológicos, as fibras solúveis e a inulina estão sendo
recomendadas para algumas situações clínicas, como na constipação intestinal,
na dislipidemia e na melhora da absorção de cálcio, o que poderia prevenir a
osteoporose (7). Além disso, ainda existem estudos demonstrando o beneficio da
suplementação de fibras em pacientes com Diabetes Mellitus tipo II e na
modulação da microbiota de pacientes críticos (8,9).
Pesquisadores
observaram aumento da absorção de cálcio em 26 mulheres (pós- menopausa) após
três meses de suplementação com inulina (8 g/dia) em relação ao grupo controle
(maltodextrina). Demonstrando um possível papel preventivo da suplementação de
inulina na osteoporose. Além disso, os estudos demonstram que a maneira mais
eficaz de melhorar a absorção de cálcio é com a suplementação de fibras tipo
inulina ao invés de outras fibras solúveis como FOS (frutooligossacarideos),
porém os mecanismos que favorecem a inulina ainda não estão esclarecidos (10).
Em
estudo realizado com 10 mulheres idosas com constipação (1 ou 2 episódios por
semana com consistência dura das fezes), receberam 20 g de inulina nos
primeiros 8 dias de estudo e a dose foi gradualmente aumentada para 40 g até o
décimo nono dia de estudo. A suplementação de inulina aumentou a frequência de
fezes em 7 das 10 pacientes, de 8 a 9 evacuações por semana (11).
Balcazar-Munoz
e colaboradores observaram em estudo controlado e randomizado, que doze
indivíduos com obesidade, com elevados níveis de triglicerídeos e colesterol,
foram randomizados para receber 7 g/dia de inulina ou placebo durante quatro
semanas. A suplementação de inulina resultou em redução significativa nos
níveis de colesterol total, LDL-colesterol (lipoproteína de baixa densidade),
VLDL-colesterol (lipoproteína de muito baixa densidade) e triglicerídeos (12).
A
quantidade de fibras solúveis, e inulina para a obtenção desses benefícios é
semelhante entre as diretrizes. A diretriz americana de 2010 recomenda 25 g de
fibras dietéticas em uma dieta de 2000 Kcal (13). Outros autores relatam que os
benefícios podem ocorrer com a ingestão de 12-33 g de fibras por dia de
alimentos integrais ou até 42,5 g de fibras por dia a partir de suplementos. A
maioria dos estudos demonstra bons resultados das fibras, assim como da
inulina, a partir de suplementações diárias desses compostos. Eles acreditam
que essa seja a maneira mais eficaz de atingir a quantidade de fibras
recomendadas para uma vida saudável. (7)
Com
base na literatura cientifica, podemos afirmar que as fibras solúveis e a
inulina influenciam a função intestinal aumentando a frequência das evacuações,
está associada à diminuição sérica de triglicerídeos e níveis de colesterol
sérico, além de outros benefícios que ainda precisam de mais estudos para a
comprovação.
.
.
Danielle Fontes de Almeida
Nutricionista.
Especialização em Nutrição Clínica pelo GANEP. Mestranda em Ciências no
Laboratório de Nutrição e Cirurgia Metabólica do Aparelho Digestivo – Faculdade
de Medicina da USP
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