Estudo desenvolvido no
Hospital St. Michael, no Canadá, e publicado na revista Diabetes Care sugere
que o consumo de óleo de canola pode melhorar o controle glicêmico e diminuir
risco de doenças cardiovasculares em indivíduos com diabetes mellitus tipo 2 (DM2).
O interesse do estudo partiu da observação dos efeitos protetores atribuídos ao
consumo individual de ácido alfa-linolênico (ALA), de ácidos graxos
monoinsaturados (MUFAs) e de dietas de baixa carga glicêmica no desenvolvimento
de doenças cardiovasculares. Seu objetivo foi investigar como seriam os efeitos
desses nutrientes quando combinados, usando dieta com baixo índice glicêmico
enriquecida com óleo de canola, como fonte de ALA e MUFA.
Seguindo um desenho
paralelo e aleatório, os autores compararam níveis de glicose sanguínea e
fatores de risco cardiovascular em 141 indivíduos com DM2 que receberam
aconselhamento dietético para consumir durante 3 meses ou uma dieta
experimental à base de alimentos com baixo índice glicêmico e que incluía 4,5
fatias de pão integral enriquecido com 31 g de óleo de canola por 2.000 kcal
(500 kcal / dia, n = 70); ou uma dieta controle à base de alimentos integrais e
que incluía o consumo de 7,5 fatias de pão enriquecido com grãos de trigo
integral e sem óleo de canola (500 kcal / dia, n = 71), conhecida por reduzir o
risco de doenças cardiovasculares. A aderência às dietas foi avaliada a partir
de registros alimentares de 7 dias, realizados durante os 3 meses de estudo. O
desfecho primário foi alteração de hemoglobina glicada (HbA1c), como marcador
de glicemia. Os desfechos secundários incluíram cálculo do risco de doenças
cardiovasculares, medido por escore de Framingham, e índice de hiperemia
reativa (IHR), como indicador de vasodilatação por fluxo sanguíneo.
Uma porção de 79% de
indivíduos do grupo experimental (n = 55) e 90% do grupo de controle completou
o ensaio (n = 64). Em relação à dieta controle, o consumo de dieta experimental
resultou em maior aumento da ingestão de MUFA e ALA, menor ingestão de
carboidratos e, consequentemente, de carga glicêmica. Houve redução
significativamente maior de HbA1c em indivíduos que consumiram dieta
experimental, em relação aos que consumiram dieta controle, com maior benefício
observado naqueles com pressão arterial sistólica aumentada. Reduções
significativamente maiores de escore de risco de doenças cardiovasculares foram
observadas em indivíduos que consumiram dieta experimental, enquanto o IHR foi
maior naqueles que consumiram dieta controle. Potenciais benefícios cardiovasculares
associados à dieta experimental incluíram redução significativa de níveis
séricos de triglicérides, colesterol total e, consequentemente, suas frações
LDL e HDL. No entanto, a queda do colesterol ocorreu principalmente à custa de
LDL, já que a razão colesterol total:HDL também diminuiu em indivíduos
que consumiram dieta experimental, em relação aos que consumiram dieta
controle.
“A redução da carga
glicêmica por substituição de carboidratos por óleo de canola, como fonte de
MUFA e ALA, melhora o controle glicêmico de indivíduos com DM2, principalmente
naqueles com alto risco de complicações do diabetes, além de reduzir
LDL-colesterol. Essas observações não ocorrem após ingestão de dietas somente
com baixa carga glicêmica”, concluem os autores.
Referência(s)
Jenkins DJ, Kendall CW, Vuksan V, Faulkner D, Augustin LS, Mitchell S, et al. Effect of lowering the glycemic load with canola oil on glycemic control and cardiovascular risk factors: a randomized controlled trial. Diabetes Care. 2014 Jun 14. pii: DC_132990. [Epub ahead of print]
Jenkins DJ, Kendall CW, Vuksan V, Faulkner D, Augustin LS, Mitchell S, et al. Effect of lowering the glycemic load with canola oil on glycemic control and cardiovascular risk factors: a randomized controlled trial. Diabetes Care. 2014 Jun 14. pii: DC_132990. [Epub ahead of print]
FONTE:
NUTRITOTAL
